JUSTIFICATIVA

 

 

A água e a energia constituem-se nos principais insumos da vida humana, animal e vegetal e são fatores essenciais para a produção agrícola e industrial. A atividade agrícola, especialmente por meio da irrigação usa 70% da água e 5% da energia elétrica, o setor industrial consome 22% da água e 40% de energia e as atividades domésticas consomem 8% da água e 28% de energia.

 

A demanda por esses insumos (água e energia) tem crescido exponencialmente ao longo do tempo em função do aumento da população e a consequente demanda por alimentos, do incremento no uso equipamentos eletroeletrônicos e, em especial, do desenvolvimento tecnológico dos setores produtivos da indústria e da agricultura que diversificaram sua matriz tecnológica requisitando um consumo cada vez maior desses insumos e de matéria prima.

 

No entanto, não houve uma correspondente evolução estrutural para o aumento na disponibilidade de água e na produção e distribuição de energia o que tem provocado obstáculos e até colapso no crescimento do setor produtivo e deficiência, ou até mesmo, desabastecimento para a população. Esses fatos ficaram evidentes nos últimos dois anos em função da redução das chuvas que gerou uma crise hídrica no estado do Espírito Santo com enormes prejuízos para a população e em todos os setores produtivos, especialmente na agricultura e todos seus negócios associados.

 

Além do elevado consumo e das projeções crescentes pela demanda, existe um elevado percentual de desperdício em todos os setores, estimado na ordem de 20% a 60% da água tratada, desperdiçada nas áreas urbanas, especialmente na rede de distribuição e no uso doméstico para os diversos fins. Na área rural também existe esse problema, principalmente em agricultura irrigada devido ao uso inadequado de sistemas e dimensionamento incorreto do projeto de irrigação, entre outros.

 

Quanto a energia, o problema com as perdas não é diferente; o sistema elétrico brasileiro apresenta vários tipos de perdas, desde a geração, passando pela distribuição, até ser faturada nos sistemas de medição dos clientes. Porém a principal perda de energia no sistema elétrico brasileiro ocorre por falta de eficiência nos projetos e instalações elétricas e no uso inadequado pelos consumidores, seja na indústria, no agronegócio ou no consumo residencial.

 

Hoje, o grande desafio para o consumidor é reduzir o consumo de energia mantendo a produtividade, ou manter o mesmo consumo de energia sendo mais produtivo, contribuindo para uma melhoria na competitividade da indústria, do comércio e do agronegócio.

O uso eficiente da energia, definido pela adequada aplicação e pela eliminação de desperdícios, está alinhado aos atuais pilares da sustentabilidade, sendo que se estima um potencial técnico de redução de 25% do consumo total de energia, somente na indústria brasileira.

 

Apesar da matriz de produção de energia elétrica no Brasil e no Espirito Santo ter sua base renovável, sendo 90% oriunda de hidroelétrica, ainda faz-se necessário diversificá-la, adequando-a cada vez mais aos princípios da sustentabilidade econômica e ambiental, especialmente no que se refere à necessidade de reduzir custos e poluição atmosférica, como também de reduzir os riscos de desabastecimento.

 

Existem experiências bem sucedidas de uso eficiente da água e energia, de armazenamento, distribuição, reuso e reciclagem da água, bem como de fontes alternativas de captação de água (água subterrânea, dessanilização) e de produção de energia elétrica como o uso luz solar, de biomassa, de resíduos orgânicos e industriais, gás natural, eólica, entre outras.

 

Assim, pretende-se realizar uma ampla discussão sobre a realidade e os principais problemas que afetam o setor, bem como levantar e demonstrar alternativas viáveis que possam promover a remoção dos principais obstáculos ao desenvolvimento dos diversos segmentos consumidores de água e energia elétrica.

 

A AQUAENERGY tem como objetivos:

 

Promover o intercâmbio e difundir experiências sobre os avanços tecnológicos nas áreas de geração e consumo sustentável da água e energia, para os profissionais que atuam nos diversos setores ligados ao tema, como também para empresários e produtores industriais e rurais, estudantes, ambientalistas e a sociedade de modo geral.

 

Ampliar o mercado interno de bens e serviços, ligados ao negócio da água e da geração de energias alternativas.

 

Mostrar a possibilidade de engajamento de pequenos empresários, profissionais da engenharia, produtores rurais e a sociedade em geral no mercado competitivo da energia e da água.

 

Mostrar as potencialidades e estimular o negócio da energia alternativa e do consumo sustentável da água no estado do Espírito Santo.